“Não more aqui”: cartazes de alerta para perigo de assaltos no Bairro Rosário surpreendem moradores

Lenon de Paula

“Não more aqui”: cartazes de alerta para perigo de assaltos no Bairro Rosário surpreendem moradores
Foto: Lenon de Paula

Moradores do Bairro Rosário, região central de Santa Maria, foram surpreendidos no decorrer desta quinta-feira (5) por conta de um aviso incomum. Cartazes com os dizeres “Não more aqui! Bairro perigoso, assaltos” foram colados em postes da localidade em uma tentativa de alerta para os riscos de roubo a pedestre na região.

A iniciativa, no entanto, é anônima. Não há informações sobre quem teria colado os dizeres, que também viralizaram nas redes sociais. A opinião de moradores da região é distinta. Há quem afirme que não há novidade na informação pontuada nos cartazes, enquanto outros consideram que o aviso traz pânico e promove a insegurança neste bairro que é majoritariamente residencial e um dos mais tradicionais da cidade. 

A empresária Tanise Moreira, 29, reside no Bairro Rosário há oito anos, concorda com os dizeres, e afirma que as placas não lhe trazem nenhuma surpresa.

— Já teve vandalismo, fogo em contêiner. Tenho um comércio aqui perto, na Vale Machado, trabalhamos de porta fechada, com grade, pois já fomos assaltados ali. A gente se esconde pros ladrões não nos roubarem. Logo que vim pra cá eu fui assaltada. Tem uma certa hora da noite que não dá pra passar aqui na praça — relata Tanise, em referência à Praça Hermenegildo Gabbi, também conhecida como Praça do Rosário.

O motorista de aplicativo Pedro Henrique Pereira Gomes, 52, costuma esperar por corridas próximo da Praça do Rosário há mais de quatro anos. Ele informou não ter visto os cartazes, mas considera que o Rosário é um bairro perigoso:

— Essa região aqui é muito perigosa. De noite de dia, época de colégio, o que roubam de celular aqui, não tem hora. É um rico de um bairro, mas é um perigo só. De noite se tu ficar aqui é pedir pra ser assaltado. Isso não tenho dúvida.

O ator e produtor cultural, Geison Sommer, 34, integra o grupo “Teatro Por Que Não?”, um dos coletivos que gestiona o Espaço Cultural Victorio Faccin, um estabelecimento independente localizado na Rua Duque de Caxias, no Bairro Rosário. Há mais de 10 anos promovendo apresentações e cursos de teatro no espaço, Geison conta que ficou sabendo das placas pelas redes sociais, e que as considerou um tanto incomum.

— Me surpreendi com a notícia espalhada dessa forma. O intuito disso soa como um alerta, mas achei bem incomum isso ter acontecido por aqui. O Rosário é um bairro muito bom. Nossa atuação aqui envolve um diálogo bom com os vizinhos, e a cultura é um caminho pra conectar as pessoas. Fazemos eventos pela tardinha, noite, e nunca tivemos um problema direto — afirma Geison. Ele conta que o Espaço Cultural não sofreu tentativas de assalto, mas que já teve janelas quebradas, o que necessitou a adoção de medidas para maior segurança.

O Bairro Rosário é um local tranquilo para morar, na visão da editora de vídeos Beatriz Ardenghi, 22, que mora na localidade há quatro anos. Ela comenta que a imobiliária que ela procurou informou que o bairro tinha a reputação de ser perigoso, mas que nenhum crime grave teria ocorrido pela região nos últimos anos.

— Eu concordo com isso. Nunca fui assaltada, assediada, ou algo parecido. Eu acho que é tranquilo aqui. Isso que colocaram das plaquinhas, eu nem tinha percebido, e não concordo muito. Essas placas eu acho que causa um pânico, né? — afirma Beatriz.

“Os cartazes não reproduzem o que as estatísticas apontam”, diz delegado regional

O titular da Delegacia de Polícia Regional (DPR) de Santa Maria, delegado Sandro Meinerz, avalia que os índices de roubos a pedestre apontaram queda nos últimos anos, e considera que iniciativas como a de colar cartazes com alerta de assalto promovem um alarme que não é real. Meinerz cita o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), e o cercamento eletrônico (instalação de câmeras de videomonitoramento) como um dos vetores para a diminuição da quantidade de roubos a pedestre. Dados da DPR, que apontam que em 2022 Santa Maria registrou 435 roubos a pedestre.

— Diluindo esse número por ano, é um pouco mais de um roubo por dia. Já tivemos em Santa Maria períodos em que tivemos até cinco roubos por dia. Graças ao trabalho que foi focado em cima desse crime, nos últimos anos, bem como o advento do Ciosp e do cercamento eletrônico, o crime de roubo caiu gritantemente em Santa Maria. Por isso, colar cartazes dessa natureza produz um alarme e promove uma sensação de insegurança que não é real — considera o delegado.

Para Meinerz, os cartazes não reproduzem o que as estatísticas apontam, nem refletem o que é o Bairro Rosário hoje: um bairro mais calmo do que já foi, com uma presença maior da polícia e com câmeras de monitoramento, que ajuda a controlar o fluxo de pessoas naquela região.

— O Bairro Rosário, apesar de ter a criminalidade, como todos os bairros têm, é um Bairro seguro pra se viver. Hoje os roubos a pedestre estão diluídos. Há um tempo atrás, antes do cercamento eletrônico, os roubos estavam concentrados no Bairro Rosário, e no Centro de Santa Maria. Hoje os roubos diminuíram, e se espalharam pela cidade. 

“Colar cartazes dessa natureza produz um alarme e promove uma sensação de insegurança que não é real”, afirma o delegado regional Sandro Meinerz. Foto: Lenon de Paula

Meinerz considera que o roubo a pedestre envolve o princípio da oportunidade, casos onde as vítimas andam em ruas escuras, sozinhas, distraídas, à noite, manuseando os celulares e desatentas ao entorno, ou até mesmo sob efeito de álcool. Estes fatores muitas vezes são observados pelos criminosos como oportunidades de cometer o assalto, e o principal foco é um só: o celular.

— Grande parte dos roubos hoje acontece pela oportunidade e com um único mote, um único desejo do criminoso: o celular. O cuidado com o celular, não andar com o celular à mostra, andar atento ao entorno, indubitavelmente isso vai trazer mais segurança pras pessoas. O que a gente sempre aconselha é que as vítimas registrem ocorrência policial para que possamos direcionar nossos trabalhos para os locais com maiores índices de criminalidade – reforça o delegado regional.

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